sexta-feira, 21 de abril de 2017

ReLapso: Introdução e o Primeiro Bullying da Minha Vida Escolar


Já tem algum tempo que eu queria apresentar pra vocês um novo tipo de texto que eu irei passar a escrever e aqui estamos nós.

Como vocês devem saber (ou não), o QWoL é primeiramente o meu backup de memórias, por isso eu continuo insistindo nele (apesar de não chegar nem perto da frequência que já teve) e não cogito nunca apagar o blog ou posts por mais que eu tenha mudado de opinião (exceto um ou outro). 

Existe um tipo de lembrança que eu desejo arquivar mas queria separar das outras por serem um tanto especiais: são fragmentos. Pequenos. São lapsos. Alguns deles eu nem tenho certeza se aconteceram de verdade. São pedaços preguiçosos na minha memória. Relapsos. 

Eu volta e meio retomo eles, por isso Re e Lapso, como palavras separadas pela letra maiúscula, mas ainda unidas pela falta de um espaço entre elas. ReLapso. 

A ideia do nome veio em um rápido brainstorm com o Capelo, K-2 e Pato, embora um deles tenha participado menos mas nem sei dizer qual foi. 

Espero que estejam apropriadamente introduzidos, segue logo um dos meus favoritos. 

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Por algum motivo, a minha mãe achou que eu já devia entrar na escolinha sabendo alguma coisa. Eu hoje acho meio estranha essa ideia, porque afinal a escolinha serve pra ensinar as crianças. Não sei se era necessário fazer com que um pivete de mais ou menos quatro anos já soubesse ler e escrever. 

Bom, eu era esse pivete, e apesar de não ser o maior Shakespeare infantil da paróquia, eu sabia, antes de entrar na escolinha, a formar e decifrar as sílabas mais básicas, por exemplo saber que B + A se lê "BA" e você pode usar essa artimanha para escrever BALA por exemplo na lista de compras dos seus pais. 

Entrei na escolinha com o meu conhecimento de letras já ligeiramente maturado pelos tios Mauricio de Sousa e Walt Disney e, como devia ser praxe entre as escolinhas pré-primário do século XX, a turma foi instruída a desenhar. E por algum motivo as crianças gostavam de "escrever" o que estavam desenhando, como que pra poder explicar pros adultos o que era aquele rabisco, mas elas não sabiam escrever tampouco. Eu sabia. 

Uma garotinha chamada Barbara estava desenhando com seus giz de cera uma casinha, dessas que as crianças desenham, retangular com trapézio em cima e arvorezinha do lado e então se perguntou em voz alta como se tivesse tentando recuperar uma memória: "Como é que escreve CASA...?" 

Eu que aparentemente já era um filho da mãe prepotente lhe respondi: "É C-A-S-A. C com A da CA e S com A dá ZA" 
  
Ela respondeu: "Não é isso não, é CASA. Escreve assim... o K... e... o A." 
"É C-A-S-A. Eu sei escrever. Minha mãe me ensinou." 
"Ah é? Pois diz pra sua mãe que ela é uma burra." 

Nada como ser recepcionado na escolinha com ofensas gratuitas à sua mãe. 
E mais: Com a sinceridade de uma criança de quatro anos. 

Dali dois anos a Barbara gostava de mim mas eu tava mais a fim da prima dela, a Débora (não fiquei com nenhuma delas). 



sábado, 21 de janeiro de 2017

Diamond Punch!


Eu tive esse sonho há algum tempo já, e eu tenho trabalhado num projeto baseado nele. 
Vou contar aqui pra vocês. 

Primeiro eu preciso que vocês conheçam o Juliano, ele é esse cachorrinho do primeiro banner do blog. 

Pra quem não sabe, o Juliano é uma pelúcia que eu tenho desde criança e acabou virando um personagem recorrente em alguns desenhos meus, sendo que no mundo da fantasia ele é real mesmo. 

Nos meus sonhos ele costuma ter um papel um pouco soturno, representando algo da minha infância que eu não quero deixar ir. Inclusive eu tenho um sonho recorrente em que há dois Julianos e eu não sei dizer qual é o real. Mas nesse sonho, ele simplesmente é o personagem real do parágrafo anterior. Talvez um pouco diferente, como vocês poderão verificar. 

O sonho começa comigo me vendo em terceira pessoa. Faz frio e eu estou bem agasalhado, com uma jaqueta um pouco grossa dessas de tecido sintético. O que é meio anacrônico visto que o cenário é meio steampunk

O local em questão parece ser uma fábrica abandonada. Não consigo distinguir muita coisa, mas vejo paredes de tijolo e cimento, pichadas, e limo e outros vegetais desses de local abandonado aqui e ali. 

Eis que indo ao que parece ser o fim do cenário, percebo que há uma espécie de escada. Essa escada dá pros bueiros. Não pretendo entrar lá, me viro e vou embora. 

Porém havia uma pessoa lá dentro. Era um punk, bem estereotipado: usava um colete de couro, sem camisa apesar do frio, cabelo moicano verde e coisas do tipo. Usava alguns adereços baseados em ratos, inclusive uma tatuagem, certamente devido o fato de viver no esgoto. Posteriormente batizei-o de Ratpunk e aqui tem um rabisco dele pra vocês visualizarem. 

O Ratpunk não parecia nem um pouco satisfeito com a minha visita, e começou a me perseguir. 

Eu andava rapidamente, como se estivesse disfarçando, mas comecei a correr quando vi que ele tinha sacado uma faca. 

Correr não adiantou muito, pois logo fui fechado por uma parede. 

Nesse momento aconteceu algo inesperado: o Juliano apareceu de dentro da minha jaqueta, saindo pelo colarinho. 

Eu sabia que ele podia voar batendo as orelhas, mas não tinha ideia que ele tinha força o suficiente pra... me carregar???
Então começamos a voar e mais uma vez o Ratpunk tirou um truque da manga (mesmo tecnicamente não tendo mangas), ele começou a voar atrás da gente com uma especie de asa steampunk remendada. 

Após fugirmos um pouco, o Juliano deve ter enchido o saco, e saiu de dentro da jaqueta, de modo que eu consegui agarrá-lo e continuar a salvo (isso foi só pra ganhar mais liberdade de movimento, acho) 

Ele parou de fugir e deu meia volta, encarando o Ratpunk. 

"Escuta", disse o Juliano, com uma voz aguda e esganiçada, "você sabe qual é a coisa mais inquebrável desse mundo?" 

O Ratpunk fez uma cara de ogro burro e gaguejou uma resposta que eu esperaria de qualquer vilão, menos dele: "ãhn... a coragem e força de vontade humana?" 

O Juliano fez uma cara de decepção como se tivesse perguntado uma coisa muito básica e a resposta fosse absurda e respondeu com desgosto "Claro que não, seu idiota!! É DIAMANTE!!!" 

Sua pata começou a brilhar uma luz que variava de ciano pra magenta e ele a levantou como se fosse um punho e bradou o nome do golpe como se ele fosse um Digimon: 

DIAMOND PUNCH! 

E deu uma patada no Ratpunk, que se desintegrou em pixels (?) como um monstro no desenho do Yu Gi Oh. 

Comecei a rir com aquela situação ridícula e acordei rindo.  

Claro que não é a coragem e a força de vontade. Seu idiota. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Pseudônimos




Volta e meia eu me pego criando pseudônimos/nomes falsos/nicknames e coisas do tipo, utilizando como base meu nome, minhas origens ou apenas alguns tipos de jogos de palavras. 


Como eu não tenho pretensão de ser escritor e acabar usando de fato esses pseudônimos, eu comecei a usá-los como meu nome no Twitter. Eu troco todo mês, lá pelo dia vinte. 

Aqui eu vou comentar um pouco sobre a origem dos meus favoritos. Lembrando que meu nome é Marcelo Leria Fernandes: 

Carmelo Ariel 
É um anagrama de "Marcelo Leria". Adicionalmente, é o nome que eu dei pro meu superego, como já comentado anteriormente. 

Mark Fernandez 
É uma estilização de "Marc Fernandes", com o intuito de parecer mais estrangeiro. 
Originalmente pensei como sendo o "nome real" do Fear em Kaos City. 

Rodrigo Carrasco 
Esse tem uma origem interessante e acaba por ser o meu favorito pois é o que eu sinto mais "real". 
O prenome "Rodrigo" teria sido meu nome se dependesse somente da minha mãe, mas meu pai discordou, então entraram em acordo com "Marcelo". 
O sobrenome "Carrasco" é o sobrenome do meu bisavô e deveria ser o meu, mas devido um erro de cultura, não foi. Eu explico: meu avô, Marcelino Carrasco Fernandes, era espanhol. Os nomes dos espanhóis são estruturados assim: "Nome + sobrenome da família do pai + sobrenome da família da mãe", diferente dos brasileiros que jogam o sobrenome da família do pai por último. Desse modo, a família do meu pai acabou se tornando "Fernandes". 



Fernando Marceles 

Esse é só um jogo de palavras com Marcelo Fernandes, mas eu acabei achando legítimo pois parece um nome real. 
Sugestão do Bolinho. 

Marc Quesadilla 
Um dia o Contriller me mandou uma mensagem de madrugada com um dos seus famosos Raps: 
"Marc Quesadilla 
é o seu nome 
De chefe de quadrilha
Jutsu do Clone" 
Então eu adotei e acabou inclusive se tornando o nome do meu personagem no role-play do clã. 

Red Nanseth 
"Rednansef" é um anagrama de "Fernandes", estilizado pra parecer um nome estrangeiro. 

Marco Macaroni 
Esse nome é puramente um jogo de palavras. Talvez (não me lembro) tenha algo a ver com o noivo da minha prima, Marco, que faz uns macarrões da hora. 

Leroy Ferdinand 
Estilização de "Leria Fernandes", obviamente tirei o Leroy do Jenkis e o Ferdinand do Franz.

Frederick Fromage
"Fromage" é queijo em francês, e depois de brincar um pouco com a ideia, decidi que o prenome seria Frédéric (a versão francesa do nome), mas optei por Frederick por ser mais "clean". Escolhi esse nome por começar com o mesmo fonema de Fromage aí parece nome de personagem.

Oswald Kross
Existe um personagem na história do Brasil chamado Oswaldo Cruz, que por acaso dá nome a uma das ruas da cidade. Eu tinha esse hábito de ficar traduzindo os nomes de ruas pra inglês e alguns ficavam interessantes. No caso, estilizei Cross com um K. Foi o nome do meu primeiro personagem no Ragnarök.

Reed C. Sky
"Reed" é um nome que lembra o verbo inglês "to read", assim como meu sobrenome Leria lembra o verbo ler.
C. Sky é para ser lido como "Sea Sky", ou seja, "Mar Céu", que lembra Marcelo.

Conforme for criando mais eu atualizo a lista. 
Última atualização: 22/06/2017  


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Today has been cancelled. Go back to bed.



Existe essa frase que rola pela internet. "(O dia de) hoje foi cancelado. Volte para a cama". Não sei dizer exatamente se é um meme, um costume ou só algo que alguma comunidade cunhou. Eu sei que uma vez eu topei com ela e acabei meio que me identificando. 
  
Muitas vezes a gente acorda simplesmente querendo que aquele dia não aconteça. A gente realmente espera que alguém possa dizer pra gente que tudo aquilo que todo mundo planejou simplesmente não vai rolar, pode voltar a dormir. Às vezes mesmo eventos esperados há semanas parecem precisar de um montão de energia que a gente não está disposto a gastar. Mas aí não é bem assim, a vida continua e o mundo continua existindo com você ou sem você. 

Mas eu não estou aqui pra falar sobre isso (talvez não hoje), eu só queria comentar sobre certa época em que esse sentimento acontecia com uma frequência absurdamente maior do que de uns tempos pra cá. 
  
Certa feita, de bobeira na internet, eu encontrei essa imagem pela primeira vez. Veja bem, não é a imagem da ilustração. A frase era a mesma e a ideia era mais ou menos a mesma, mas a imagem em questão parecia estar num monitor de computador velho, algo mais AESTHETICS por assim dizer. Por algum motivo, aquela imagem em especial me compreendia. Ela de algum modo expressava exatamente o que eu estava sentindo. Um querer que o dia não exista, só poder ficar na cama com os meus pensamentos, e estes bagunçados como o glitch do computador. Talvez só precisassem de uma limpeza. 

Eu nunca mais encontrei essa imagem. Hoje eu duvido até mesmo que ela sequer tenha existido.


Montei essa que ilustra o post com um site gerador de glitch, não é exatamente o que eu queria, mas espero que dê pra ter uma ideia. 





sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Iupi


"E aí? Com emoção ou sem emoção?" meu pai perguntava, mãos ao volante, comigo no banco de trás.  

Eu tinha uns onze ou doze anos, e naquela época eu já era meio medroso, provavelmente preferiria a calmaria da normalidade do que sair da rotina pra variar. 

Mas não deu tempo, já estávamos no tal caminho emocionante. 

Meu tio que havia descoberto - ou um amigo dele, algo assim - uma rua em forma de ladeira perto da minha casa. Meu avô dizia que quando chegara na cidade esse bairro era praticamente um monte de morros, e como resultados as ruas se tornaram um monte de subidas e descidas. 

Não era nada demais essa "emoção" - o pessoal descia essa ladeira com um pouco mais de velocidade. Dava um friozinho na barriga, algo como quando a montanha russa começa a descer e você (caso tenha um medo terrível de altura, como eu) começa a se perguntar de quem foi a ideia brilhante de subir nesse monstro. 
Mas era só isso: uma ladeira, um friozinho na barriga, um "iupi" e acabou, em um minuto estamos em casa.

Um "iupi". Um simples friozinho na barriga, e por mais que fosse sempre a mesma coisa, a gente passava pelo "iupi" sempre que possível. Virou uma rotina para a gente, sempre que meu pai ou tio estavam ao volante. Chamávamos a rua de "Rua do Iupi", e era de lei dizer o tal "iupi!" enquanto estávamos em ação.  

Um tempo depois eu deixei de gostar do Iupi. Algo me dizia que era uma peripécia perigosa, que poderia acabar de jeito ruim. Pedia pro meu pai fazer outro caminho, ou pra deixar o iupi pra outro dia. Eu era um pirralho meio chato, e quando lia alguma coisa sobre segurança no trânsito (meu avô vivia trazendo esse tipo de material), ficava meio bitolado. 

Hoje em dia a Rua do Iupi virou contramão. Colocaram semáforo, placa, algo assim. Aparentemente a fama do Iupi se espalhou e alguns motoristas menos cuidadosos chegaram a causar acidentes. Depois não digam que não avisei! 

Mas hoje eu sinto falta dos friozinhos na barriga. 

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Dois Sonhos e um Desabafo

Já tem alguns meses que eu não me sinto à vontade pra deixar certos sentimentos fluírem.
Passei por fases difíceis, todos passamos. Com o apoio de meus pais e amigos eu consegui deixar muita coisa pra lá. Mas meus sonhos têm trazido tanta coisa à tona que eu já não sei se consigo me conter por muito mais tempo.

Sabe qual é o problema dos sonhos? Eles vêm lá de dentro, do íntimo, do fundo. Não importa o que você acredite ou o que você tenha se convencido a acreditar, eles são, sempre, tão sinceros.

Eu sonhei com ela esse mês. Não uma, duas vezes.
O tempo que a gente se separou já ultrapassou o tempo que ficamos juntos, e por mais que eu tenha aprendido a gostar de mim mesmo e apreciar a companhia daqueles que me querem bem, eu não deixo de pensar no assunto ao menos uma vez por dia.

Uma vez por dia.
Em mais de um ano e meio? Isso são muitos dias. Muitos pensamentos.

Têm sido dias difíceis. Trabalho, faculdade, a crise e toda essa palhaçada que acontece no país que eu prefiro fingir que não é comigo. Atualmente parece que a gente paga pra trabalhar. Eu mal tenho tempo de fazer as coisas que eu gosto de verdade, como jogar com os brothers ou colar espuma em cano. Eu mal tenho exercitado minha criatividade, que coisa de até dois ou três anos atrás era tão ferrenha que eu tinha que adiar compromissos para satisfazê-la. Mas isso não quer dizer que a minha mente tenha parado.

Eu falo muito sozinho. E respondo. Preferi criar um personagem que é essa pessoa que me responde, e ele incrivelmente responde as coisas com uma lógica e rigor que eu acho até esquisito saber que somos a mesma pessoa.

- Mas Carmelo, será que ela…
- Cala essa boca. Vive sua vida.

E assim o Carmelo vai me impedindo de voltar atrás, ficar olhando pro meu passado e tentar encontrar o que pode ter dado errado. Mas ultimamente parece que ele tem estado um pouco preguiçoso, e bom, mesmo que não estivesse, os meus sonhos têm um impacto tão grande na minha vida que não ajudaria muito.

Primeiro eu tive um sonho feliz.
Quer dizer, seria feliz se não fosse comigo. Seria feliz se fosse só um sonho e não um desejo que acabou virando um sonho.

Sonhei que estava na casa dela. Toda a família dela estava lá, como quando a irmã dela se casou e eu fui convidado (me senti super peixe fora d'água, ou melhor, pinguim, por causa do terno). Mas nada estava sendo comemorado aparentemente. Era só uma reunião esporádica. Eles faziam isso de vez em quando, pois parte da família dela vive em Brasília e quando vêm pra SP todo mundo vai visitar. Enfim.

Era um dia alegre. Frio mas com sol. A casa era meio gelada, mas não tinha problema. A gente podia se esquentar abraçando. Ainda estávamos namorando no sonho? Não. “Ainda” não.

Havíamos reatado.

O sonho se passava digamos assim “no presente”. O frio com sol, eu sem o cabelão que costumava ter e ela com o cabelo comprido como deixou (quando nos conhecemos, o meu era maior que o dela… vocês conhecem meu fraco por cabelos curtos).

Os parentes dela, sempre tão simpáticos e receptivos, me recebiam de volta com carinho e bom humor. A vovó me dizia coisas como “sempre gostei de você” e o aquele tio bigodudo fazia piadas na linha do “é você de novo?” e “ela não se decide?” e eu que sou tão sensível com essas brincadeirinhas não conseguia nem me incomodar.

Estava tudo muito feliz.

Um pouco antes de acordar lembro que estávamos deitados no sofá, enrolados num cobertor grosso, assistindo à TV como naquelas tardes frias e preguiçosas.

“Vai ser diferente agora.”

Acordei enrolado no cobertor mas no meu quarto e obviamente sozinho. Lá vamos nós passar por alguns dias de bad, que droga né? Vida continua. Vai voltar tudo ao normal? Achei que iria. Mas está tudo tão normal que estou escrevendo. Pra você ver.

Eu estou meio que acostumado com sonhar com ela de vez em quando. Afinal ela foi parte super importante da minha vida, não é? Minha primeira namorada, a primeira pessoa que me viu de um jeito que ninguém quis ver. Ela foi a minha melhor amiga. Infelizmente eu não consegui manter um laço de amizade com ela. Eu tive que cortar completamente porque na verdade eu ainda queria estar com ela. Ver ela sendo feliz sozinha, depois com outra pessoa, acabou comigo e me colocou em um ponto que eu achei necessário precisar tomar essa medida. Não ajudou muito, talvez... pois estou exatamente aqui.

Anteriormente eu já sonhei com ela e o novo namorado dela, mas aquele sonho não interessa no momento nem quero ter ele escrito em algum lugar, por hora. Porém eles apareceram de novo, como casal, essa noite. (Eu nem ao menos sei se eles ainda estão juntos, já que não tenho contato com ela, mas é o que tenho em memória).

Era uma festa. Eu estava me sentindo muito esquisito, pois era uma festa em que eu claramente não queria ter ido. Todos estavam bem-vestidos, inclusive minha família, mas eu estava de bermuda e camiseta, com o bolso quase estourando pois comportava o DS que levei pra jogar.

Aconteceu num lugar muito grande, uma mistura de buffet com igreja, e as mesas para a gente comer ficavam do lado de fora. Não lembro de muita coisa que tinha para comer, mas havia garçons servindo churrasco nas mesas, tal qual um rodízio.

Em determinado ponto, um homem que não identifico mas acho que era o dono da festa, pediu atenção de todos e disse que uma senhora iria cantar uma música. A senhora no caso era a mãe dela, e a música uma homenagem ao casal. Eles e mais algumas pessoas desceram uma escada comprida, e ao vê-la de relance eu saltei da minha cadeira e andei rapidamente para fora, com o intuito de não ser visto por eles e não ter que enfrentar a situação.

Eis que eu acabei numa das cozinhas do local, e os cozinheiros não se incomodaram em me deixar sentar a uma mesa. Não demorou muito apareceu a minha mãe, dizendo que ela a teria reconhecido e perguntou de mim.

“Vai lá dar um oi pra ela. Ela disse que tem saudades.”
“É mentira. Ela não gosta de mim. E eu não gosto dela.”

Isso também é mentira, claro. Mas era o que eu queria dizer. Talvez a esse ponto é o que eu gostaria de sentir. Gostaria que fosse verdade, que nada em mim tivesse vontade de vê-la, mas não é o que acontece. Eu posso fugir, eu posso cortar laços. Mas sei o que eu sinto.

Outro dia eu estava conversando com meus botões (sem o Carmelo, diga-se de passagem), e foi basicamente o embrião desse texto que escrevo agora. Claro, decidi não fazê-lo, mas esse segundo sonho me pegou desprevenido e me fez sentir que devia. 

Eu sempre senti que esse namoro durou muito pouco. Pra mim, acabou cedo. Foi empatado, abortado, ou algo assim. Mas eu me lembro que, na época, a gente não estava se relacionando muito bem mesmo.

Os encontros estavam meio monótonos, as conversas vazias. Ela estava tão distante, não parecia mais confortável comigo. Eu mesmo achei estranho, mas pensei que era fase. Provas, vestibulares, etc, tudo junto, tudo em cima, a pessoa fica meio esquisita mesmo. Achei que ia passar e logo tudo ia voltar ao normal. Vai ter uma festa no fim do ano, eu vou pedir pro DJ tocar a nossa música, vai ser ótimo.

Bom, teve provas, teve vestibulares, teve festa. Tudo um sucesso. Mas sem a minha presença. Terminamos em agosto. 

Confesso que por achar que era uma fase acabei não conversando com ela. Confesso ainda que quando ela disse que queria “dar um tempo” eu disse “tenho percebido que você anda muito distante, talvez seja melhor mesmo”. E mais: “não existe isso de dar um tempo. Vamos terminar. Se tiver de tentar de novo, a gente tenta de novo”.

Eu queria tentar de novo, mas aparentemente, como dizem, tango se dança a dois.

Devo dizer ainda que eu fui um namorado bem bosta. A falta de diálogos e discussões de relação nunca me preocuparam muito, porque achei que estávamos indo bem.
A minha falta de criatividade em ser romântico, em fazê-la feliz, acredito que a deixou cada vez mais entediada, insatisfeita.
Não vou entrar em detalhes, mas certa vez cometi uma mancada homérica que me assombra todo dia. Ela me pediu a mão em um momento ruim, e eu estava “ocupado demais” para fazê-lo. Acredito que isso abalou a confiança que ela tinha em mim de um jeito que mudou completamente o nosso rumo como casal. 

Mas o que eu posso dizer? Era meu primeiro namoro. Eu não fazia ideia do que estava fazendo. Eu achava que teria muito tempo pra aprender. Eu acreditava que talvez até estivesse fazendo tudo direitinho, talvez “básico” demais, mas eu preferia ir devagar.

O tempo nunca foi um problema pra mim; parece que tudo pra mim acontece depois, acontece tarde, acontece por último.

Infelizmente esse negócio de superar um fim de namoro está caindo nessa categoria também, junto com tantas outras coisas que me fazem ter medo, vergonha ou tristeza.

Talvez chegue o dia em que eu supere tudo isso, assim como eu anseio por tanta coisa que eu poderia ter alcançado mas não consegui por esse ou aquele motivo.

Enquanto isso, vou escrevendo minha história.

"As palavras soam, mas elas não te alcançam. Você já esqueceu de mim.

Destrua; lembre-se. Destrua o muro; lembre-se.” 

domingo, 24 de abril de 2016

Sonho dos Churros

Estava num ônibus, no banco de trás, comendo um churro.

A wild Cadois appears!

- Olha você aí, tá servido de churros?
- Não obrigado, trouxe os meus.

E me mostrou uma sacola de papel contendo 9 unidades de churros.

Conforme o ônibus avançava no caminho, ele jogava um churro fora pela janela, procurando acertar caixas de correio, jardinzinhos e coisas assim

- Pra que isso cara?
- Pra eu comer na volta.

domingo, 3 de abril de 2016

Sonho do Acampamento de Hogwarts

Eramos eu e meus quatro drugues, isto é Cadois, Pato, Capelo e Drex, mais três desconhecidos sendo uma garota e dois garotos. 

Nós fomos para uma espécie de acampamento temático de Hogwarts, e por algum sistema onírico de seleção de casas, fomos classificados conforme: meus quatro drugues como Corvinal, eu como Sonserina, a garota como Grifinória e os outros garotos como "Não Identificado". 

Cada um recebeu um moletom com cor e símbolo das casas (os não identificados um preto com os óculos do Harry desenhados) e meus drugues ficaram tipo: "Poxa! Por que você pegou o verde? A gente tinha combinado todo mundo pegar azul"

"Mas verde combina com a cor do clã" 

Então o Drex me deu o moletom dele pra eu ficar na cor do rolê 
"Nem gosto de Harry Potter mesmo" 

domingo, 1 de novembro de 2015

Elfos não existem


Almoçando macarrão com salada na companhia do Elfo numa mesa no quintal, um jardinzinho às minhas costas.

- Queijo, tem um elfo no jardim. Ele disse que é pra concluir o ritual agora mesmo ou ele vai murchar o jardim.
- Mas Elfo, elfos não existem.

Elfo mostra que a salada no seu prato está murcha e faz aquela cara de "eu disse". 

Eu olho pro jardim e está todo murcho.

Vivo... Oi?

(Imaginando cenas surreais) 
- Boa tarde sr gostaria de lhe apresentar a minha operadora
- Qual é?
- Vivo 
- Morto 
(cara abaixa e fica lá pra sempre)

- Qual sua operadora?
- Oi
- Tchau
Vira as costas e vai embora
- MALERBA, Alexandre