sexta-feira, 12 de junho de 2020

Fórmula do Sanduíche



Um sanduíche é, por definição, um alimento composto por duas fatias de pão e alguma coisa entre elas, normalmente consumidos como lanche ou refeição rápida.

Tendo isso em mente e por algum motivo o meu recente gosto de separar coisas em categorias, eu acabei criando um sistema de classificação dos elementos do sanduíche, que eu apresento para vocês abaixo.

Os elementos mínimos para que exista o sanduíche são Pão (logicamente, se não não é um sanduíche) e Propósito (pergunte-se: é um sanduíche de quê? Qual é a estrela aqui? E você descobrirá o Propósito).

Tendo essa visão dos elementos mínimos, qualquer "pão com alguma coisa" pode ser um sanduíche (a menos que não seja: canapé não é um sanduíche, por exemplo). Pão com manteiga pode ser um sanduíche se você quiser enxergá-lo assim (e eu não quero ser prepotente mas se você não enxergar você está ERRADO). 
                     

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Pão
O pão é o que vai dar base ao seu sanduíche, mas não somente "base" no sentido material da coisa. O pão é o que vai transformar o Propósito (veja adiante) em um sanduíche. Sem o pão o seu Propósito deixa de ser um Propósito e passa a ser apenas o que é. Parece que eu estou dando importância excessiva aos elementos do sanduíche? Ou é VOCÊ que não dá a devida importância? Pense bem.
Pão pode vir em diversas formas: pão de forma (você se embananou lendo isso agora né? eu também), pão francês, pão italiano, pão de hambúrguer, pão de hot dog, tudo quando é tipo de pão. Eu classifico como "pão" algumas coisas que talvez não sejam exatamente um pão, como tortilhas e uma espécie de bolo salgado que a minha tia alérgica a glúten come em substituição ao pão.
O importante é que existam (pelo menos) duas fatias de pão, ou que você consiga abri-lo para inserir o Propósito e outros elementos.


Propósito
Propósito, como já mencionado anteriormente, é o recheio principal do sanduíche, a estrela, o que faz o seu sanduíche existir e não ser só um pão cortado.
É um sanduíche de que? Qual é a coisa que você espera que seja a mais marcante quando saboreá-lo? Como você vai chamá-lo?
Exemplos de Propósito são hambúrguer, salsicha, presunto, peito de peru, salame, salsichão, atum, etc.
Mas o Propósito pode ser qualquer coisa que caiba no pão. Os outros elementos do sanduíche, inclusive, podem ser ressignificados como Propósito caso você assim deseje. Quer chamar um PÃO COM MOLHO DE PIMENTA de sanduíche? Você talvez tenha algumas papilas gustativas prejudicadas no processo mas vá em frente!
A única coisa que não pode ser um Propósito é o Pão. Mas há controversas. Estudos sobre a questão estão sendo conduzidos.

Queijo
Quando o queijo não for o Propósito do sanduíche eu acredito que ele deva ser classificado como coadjuvante, entretanto, em uma categoria própria.
Os queijos adicionam textura e suavidade (ou força, dependendo do queijo) ao contexto do sanduíche, melhorando a performance do Propósito.
Mas esteja ciente que alguns queijos podem roubar a cena (alô parmesão e gorgonzola) então use com cuidado. E por "cuidado" eu quero dizer precaução quando ao sabor, porque queijo é muito bom e quanto mais melhor, pode encher de queijo esse sanduba aí
Exemplos de queijo: mussarela, queijo prato, provolone, queijo processado, pode-se considerar variações de requeijão como queijo.

Vegetais
Elemento autoexplicativo, qualquer vegetal, seja hortaliça, fruta, legume, etc. Cru, cozido, assado, em conserva. Você vai saber dizer o que é um vegetal, vai por mim.
Exemplos de vegetais incluem alface, tomate, pepino, rúcula, agrião (quem coloca agrião no sanduíche aff), tomate seco, cebola, picles de qualquer tipo, cenoura, banana, batata (purê ou palha), já deu pra entender né


Molho Tipo 1
Eu resolvi separar o "molho" em duas categorias separadas porque, ao meu ver, existem duas maneiras de se adicionar molho ao sanduíche e isso afeta em como ele é saboreado.
Antes de partir para a definição eu devo explicar que o molho em si não se encaixa automaticamente em uma das categorias. As categorias são referentes a como o molho é aplicado ao sanduíche. Maionese, por exemplo, pode ser Molho Tipo 1 ou Molho Tipo 2, ou até mesmo os dois ao mesmo tempo (!!!)
Molho Tipo 1 é o molho que é aplicado no decorrer do preparo do sanduíche. Normalmente é aplicado passando no pão com uma faca ou espátula, mas essa não é a regra, pode ser espirrado direto do frasco também.
Exemplos de molhos NORMALMENTE utilizados como Tipo 1: Maionese, manteiga, requeijão.

Molho Tipo 2
Molho Tipo 2 é o molho que se aplica no decorrer do consumo do sanduíche.
Sua aplicação normalmente se dá espirrando do frasco, mas pode ser aplicado com uma faca ou espátula sobre a região que se vai morder (não vou me ater as questões higiênicas envolvidas, fica a seu discernimento).
Exemplos de molhos NORMALMENTE utilizados como Tipo 2: ketchup, mostarda, molho barbecue, vinagrete, molho de pimenta.
Questão perguntada frequentemente (pelas vozes na minha cabeça): Se no meio da refeição eu abrir o sanduíche e aplicar um molho, esse molho é tipo 1 ou 2?
R.: Isso fica a seu critério, para mim é Tipo 2 porque foi introduzido durante o consumo, mas você pode considerar que houve um intervalo e um novo preparo entrou em vigor, nesse caso seria Tipo 1.

Condimentos
Alguns condimentos não necessariamente se classificam como molho e é aqui que eles entram.
Condimentos são utilizados de forma a aprimorar o sabor de determinados elementos do sanduíche, como os vegetais, mas podem se aplicar ao Propósito ou a qualquer outro elemento.
Exemplos de condimentos são: sal, pimenta do reino, orégano, azeites/óleos.

Complementos
Qualquer coisa que não se encaixe em nenhuma das outras categorias mas tem presença no sanduíche.
Sabe aquele sandubão da hora em que você largou um montão de coisa e comeu até ficar estufado? Provavelmente tem uma porção de "Complementos".
Exemplos de Complementos são, obviamente no caso de eles não serem o Propósito em primeiro lugar: bacon, ovos, cogumelos.
Outros exemplos: Se você adicionar presunto em um cheeseburguer, por exemplo, o presunto será um Complemento.
Pode-se considerar alguns tipos de requeijão (como cheddar de bisnaga) como Complementos, mas eu acredito que eles servem mais como queijo ou molho.


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domingo, 3 de maio de 2020

Pesadelo do Leprechaun


Primeiro sonho. 

O cenário do sonho é o apartamento em que eu moro com meus pais e a Marina, minha irmã caçula (a Ana Paula, minha irmã do meio, casou e se mudou há pouco menos de um ano). É desses sonhos que assustam porque se ambientam em lugares excessivamente reais; e porque o que acontece no sonho acaba sendo traduzido na "vida real".
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Eu saio do meu quarto e escuto alguns barulhos estranhos vindo dos vizinhos na rua de trás do prédio. Levanto e vou até a varanda do quarto da Marina para ver o que está acontecendo (uma atividade criminosa? Não sei, mas não seria a primeira vez). Abro a porta de alumínio e vejo uma senhora não muito velha - uma mãe - arrastando uma coisa que parece uma árvore de Natal (com enfeites fixos de alguma maneira) e é isso que faz o barulho. A árvore parece ser o brinquedo de um rapaz pré-adolescente e de sua irmãzinha. A senhora entrega a árvore para o rapaz, que a veste como se fosse uma mochila. 
 
Peço para tomar cuidado com o barulho, tem gente tentando dormir. 
 
Quase que imediatamente, o rapaz aparece dependurado na varanda. Como assim? Ele escalou três andares? Não consegue entrar em casa pois a varanda tem uma rede (ou tela) de segurança. Mas o barulho dele subindo acordou o meu pai, que apareceu do outro lado da varanda. 
 
"Vai embora daqui moleque, vai acordar todo mundo", meu pai disse. 
 
O moleque fez uma cara de traquinas e como se fosse um desses mágicos de rua atravessou a tela da varanda, efetivamente tendo invadido a nossa casa. 
 
Nossa casa foi invadida. No terceiro andar. Por um moleque mindfreak travesso. 
 
Nisso meu pai e eu ficamos alterados e mandamos o moleque ir embora antes que usássemos a violência. Ele sorriu outra vez e, dessa vez passando por um pequeno vão na varanda, de modo ligeiro e esguio e mesmo com a árvore nas costas, me avisou: "Depois eu venho pregar uma peça." 
  
Foi embora. 
 
Comecei a fechar as portas da varanda quando notei que os meus braços estavam todos arranhados, sangrando - e haviam penas de pombo neles. Fui correndo pro banheiro pensando "preciso limpar isso antes que vire uma infecção". Mas ao chegar no banheiro, me assustei: havia cocô de pombo pra todo lado. Até no teto. E o chuveiro, destruído. 
 
Chamei por meu pai, ele saberia o que fazer. Meu pai veio, mas ele não conseguia me ouvir. Minha garganta começou a fechar e o meu papo a inflar; eu tentei gritar "ele colocou um feitiço em mim", mas meu pai não ouvia. Tentei gritar mais alto, ele colocou um feitiço em mim. A minha irmã escutou e veio tentar ajudar. Será que meu pai estava em choque? Ou o moleque deixou ele surdo? "Ele colocou um feitiço em mim!!" Eu sentia minha garganta fechando cada vez mais. Estaria eu me transformando em um pombo? ELE COLOCOU UM FEITIÇO EM MIM. 
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Acordei. 

A minha garganta estava doendo igual ao sonho, e eu estava morrendo de sede. 
Tomei alguns goles de água e anotei os pontos principais do sonho. Consegui voltar a dormir depois de algumas horas. 

 

Rankle, Master of Pranks - Arte por Dmitry Burmak


Segundo sonho. 

Como se fosse uma continuação do primeiro, exatamente no mesmo cenário. 
Eu não virei um pombo nem morri de infecção, talvez alguma coisa tenha me salvado. 
 
Tento entrar no meu quarto, eis que a porta fecha e tranca por dentro. 
 
Mas o que diabos... 
 
O moleque agora assumiu a forma de um leprechaun, mais ou menos como na ilustração. Ele voou por fora da janela do meu quarto e apareceu na janela do banheiro.
 
E gritou.

Um grito estridente com som de "AAAAA" que mais parecia uma arranhada no quadro-negro. 

Ah, mas dessa vez eu te pego. 
 
Gritei de volta. 
 
Ele se assustou! Acho que não esperava que eu reagisse! 
 
Gritou novamente. 
 
Retruquei. 
 
Ele começou a se deformar, a perder a cor, a recuar. Acho que se eu continuar com isso ele vai embora e não me perturba mais. 
 
Gritou mais uma vez. 
 
Só que agora eu não consigo mais. 
 
Infelizmente eu sou só um ser humano e minhas cordas vocais tem limite. 
 
Mas um leprechaun não tem esse problema. 
 
Ele venceu novamente. 
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Mais uma vez acordei com dor na garganta e muita sede. 
 
Minha irmã disse que eu nunca ronquei tão alto. 
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Na via das dúvidas eu escondi a chave do meu quarto. 
 

 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Coletânea de sub-pensamentos nº 44

  1. Eu tenho que ser muito melhor do que eu sou se eu quiser ser quem eu quero ser 
  2. Droga de Sol, tá em todo lugar esse merda 
  3. (Digitando a senha pra entrar no site do banco): "Eita, eu tô falando com o banco por telepatia" 
  4. Cozinhar é tipo uma alquimia e eu sou um bárbaro 
  5. Tomara que ninguém mude a foto desse grupo, eu gosto muito dela (Só tem eu no grupo) 
  6. Eu super preciso fazer o meu cabelo sangrar 
  7. Eu me sinto nu quando estou sem roupas 
  8. Preciso ganhar tempo pra ir dormir mais cedo, acho que vou escovar os dentes antes de jantar 
  9. Caramba, a Terra girou, e eu tava em cima dela o tempo todo 
  10. Essa torneira tá muito fraca. Falta ódio 
  11. O sujo falando do acebolado 
  12. Inseto nem é gente 
  13. É porque meu caráter foi moldado sobre vergonha e medo 
  14. Este ventilador está obstruindo a justiça 
  15. Eu acho engraçado que... na verdade, tudo é engraçado, né? 
  16. Água Mineral Artesanal 
  17. Esse assunto nunca me interessou o suficiente para que eu me interessasse 
  18. Impostor de renda 
  19. Vou virar vampiro para ganhar adicional noturno 
  20. Thirteen Tears (Da série: sub-pensamentos que poderiam ser nomes de banda) 
  21. Referências vão bem com molho barbecue 
  22. Você não pode simplesmente chegar querendo alterar o espaço-tempo 
  23. "Isso custa cinco barragens" "E quanto vale uma barragem?" "Um real" 
  24. Cadê aquele sol que tava ontem a noite? 
  25. O segredo pra não errar é fazer certo na primeira 
  26. O mundo espera que você seja um NPC 
  27. Sou de Lufa-Lufa com ascendente em Sonserina 
  28. Eu faço isso sempre. Exceto às vezes 
  29. Bem que podia ter horário de verão... E acabar logo em seguida aí eu teria mais uma hora pra dormir 
  30. Se eu soubesse que era uma competição teria me esforçado mais 
  31. Tá tão bosta que se piorar, melhora 
  32. Você teria um clipe e um pão com ovo? 
  33. Zicou a mana (jogando paciência só vinham as cartas do naipe errado) 

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Sonho do Quarto-Cozinha


Sonhei que eu tinha comprado uma casinha de quarto-cozinha numa pequena vila. 
  
Era pequena e humilde, mas por ser minha tinha um sentimento especial. 

Não havia garagem nem jardim, a porta para a rua dava na vila. Ao entrar na casa, você estava na cozinha, provavelmente o maior cômodo da casa, com uma mesa, uma pia, um fogão e uma geladeira. 

Do lado direito da cozinha havia o banheiro, que era muito parecido com o banheiro do escritório, porém um pouco mais comprido pois também serviria de lavanderia. 

Por algum motivo eu não tinha enxergado o quarto ainda nesse ponto do sonho e estava imaginando onde iria dormir. A minha primeira ideia - completamente sensata no plano onírico - era de montar uma cama tipo beliche por cima do fogão. 

Além disso eu tinha poderes paranormais pique Jean Grey, que seriam muito úteis dali em diante. 

A minha porta não trancava muito bem, ou talvez eu não tivesse o hábito de fechá-la, o fato é que toda hora aparecia uma pessoa ou grupo de pessoas invadindo a minha casa. Toda hora. 

Algumas pessoas eu conhecia, outras não. 

O primeiro grupo de pessoas que apareceu era composto por senhoras de idade, religiosas - de diferentes religiões, mas aparentemente isso não importava entre o grupo delas - e entraram querendo benzer a casa, fazer orações, estabelecer a harmonia das cores e aplicar o feng shui e coisas do tipo. 
Empurrei elas para fora, porque elas aparentemente não aceitaram a minha recusa como resposta.

O segundo grupo era uma gangue. Eles queriam tomar a casa de mim e não pareciam estar medindo esforços para isso: vieram armados com facas e porretes e em número, foi nesse momento que os poderes vieram bem a calhar: eu conseguia não só conter os brigões como eu podia apagá-los sufocando-os e até cortar a carne deles com uma espécie de lâmina imaginária. Todos derrubados, coloquei eles para fora. Me deixem em paz. 

O terceiro não foi um grupo, mas sim uma pessoa só: Esse parecia ter poderes também, era de certa forma mais furtivo, como se fosse meio fantasma. Esse provavelmente sabia que não conseguiria me vencer na força bruta então ele trouxe produtos químicos que me fariam muito mal. Felizmente os poderes psíquicos podiam ser expandidos e a furtividade dele não serviu muito para além de conseguir entrar na casa; eu consegui também conter os pós que ele tentou derramar pela casa e os coloquei para fora junto com ele. A essa altura eu já estava ficando estressado. 

A quarta vez, finalmente, foi uma surpresa boa: a Lety, minha namorada. Ela tinha vindo conhecer a minha nova casa, e foi até o meu quarto, que ficava atrás da cozinha (só aí eu descobri que a casa tinha quarto), era menor que a cozinha e tinha só uma cama de casal e uma cômoda que eu pensei que poderia ter uma televisão. Ela se deitou na cama e alguém bateu à porta

A quinta pessoa que apareceu era a antiga dona da casa, uma garota jovem e muito tatuada, que era a antiga dona da casa. Ela veio reclamar que queria a casa de volta, pois onde ela estava morando agora era muito longe do trabalho e ela estava gastando muito com transporte e me mostrou as contas delas no celular e falou e falou e falou. 

Eu acordei por aqui mas imagino que se tivesse mais tempo talvez fosse visitado por mais gente maluca. 

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

ReLapso: Bug Semanal


Em determinado momento da minha vida eu estudei no ensino fundamental. Era bem bacana, só brincadeiras e risadas, ao menos eu acho que era assim porque não consigo lembrar de muita coisa.

Em particular eu lembro vagamente de uma situação que por alguns dias colocou a minha visão de como o mundo funciona em cheque, para logo em seguida me ensinar a não acreditar em tudo que as pessoas te dizem, mesmo que essa pessoa seja uma autoridade e/ou uma pessoa que você admira.

Certa feita, na primeira ou segunda série (eu realmente não lembro qual - algo me diz que foi na segunda, mas eu também tenho uma memória da professora da primeira antagonizando a cena) - fomos instruídos a escrever uma redação sobre as nossas férias - uma prática muito comum em escolas do nível fundamental, aparentemente tão comum que a prática se repetiu ao menos uma vez por ano até a quinta série.

A tarefa era para casa e eu ainda não tinha concebido alguns macetes escolares como fazer a atividade antes e poder ficar de boas mais tarde então eu levei a tarefa para fazer na minha humilde residência.

Ao contrário do ReLapso anterior, que se passava na pré-escola, no primário a gente já escrevia com alguma proficiência, tropeçando mais em pontuações, acentos e palavras começadas em H, então eu escrevi um texto satisfatoriamente inteligível, o qual eu solicitei que a minha mamãe desse uma lida antes de eu entregar com orgulho para a professora.

Determinado ponto desse texto continha o seguinte verbete, que é muito comum no vocabulário brasileiro e tem um significado praticamente universal: "Final de semana".

Final de semana esse que, se não me engano, foram o sábado e domingo antecedentes à segunda-feira do primeiro dia de aula, data em que foi passada a tarefa que logo sucedeu a terça-feira em que a redação foi entregue.

A professora, no horário de aula, enquanto a sala fazia desenho livre ou brincava de massinha de modelar ou seja lá que tipo de estripulia nós fazíamos, chamou a minha atenção sobre a minha redação.

- Está muito boa, querido, mas o que quer dizer com 'Final de semana'?"
- Ué prô (eu fiquei um pouco intimidado, pois segundo minha mãe não tinha erro nenhum) é o sábado e depois o domingo.
- Aaah, mas isso não é o final de semana.

Buguei.

Como assim mulher? Como a senhora vem me dizer que um final de semana não é a droga do sábado e o maldito domingo? Tipo, todos os brasileiros, talvez todos os SERES HUMANOS concordam que o final de semana são esses dias!

- O domingo é o primeiro dia da semana. O final da semana é apenas o sábado.

Ah.
Uma explicação embasada, até que faz algum sentido.
O domingo é o primeiro dia, logo não faz parte do "final".
Claro.

- Mas prô a gente em casa sempre falou final de semana
- Final de semana é só o sábado! Domingo é no começo. A gente já começa a semana descansando!

A professora solicitou que eu corrigisse a minha redação (que obviamente estava escrita à lápis) e eu apaguei "final de semana" e espremi naquele mesmo espaço "sábado e domingo" para devolver a tarefa e o texto continuar com o mesmo sentido.

Eu matutei na nossa conversa durante algum tempo - tempo o suficiente para a minha mente registrar como ReLapso - mas dali a alguns dias eu cheguei à conclusão de que a professora era a única pessoa do mundo que não incluía o domingo em seu "final de semana".

Então, talvez ela estivesse errada, no fim das contas.



Sonho da Passagem Secreta

O sonho começa na sala da casa do meu avô (onde hoje mora o tio Mario), a sala parece meio vazia em comparação ao que costuma ser, como se estivéssemos esvaziando-a para pintar as paredes; eu reconheço a presença de alguns parentes próximo, que se ligam a mim de uma maneira ou outra: meu pai, o tio Mario e meus primos Alex e Max. 

Ao retirar o relógio da parede (que no sonho ficava muito alto e se posicionava na horizontal, ao invés de ser na vertical como o real), revelamos uma passagem secreta. 

O tio comentou algo do tipo, "alguém usou ela recentemente? Eu não passo desde criança". 

Todo mundo fez um comentário, como se ela fosse uma velha conhecida de nós cinco.  
Como se ela fosse um segredo da família, mas só nosso. Como se todos tivessem usado ela em algum momento, mas hoje em dia não fosse necessário

Escondida atrás do relógio horizontal, a parede era falsa e abria para um túnel que ia pela lateral da parede, para a esquerda e para a direita. 

O túnel era extremamente estreito, de modo que eu passaria por ele rastejando muito apertado, talvez quando mais novo fosse mais fácil. 

A lembrança da sensação claustrofóbica de ter que usar o túnel me fez até passar mal, e me ocorreu que se eu tentasse usar o túnel eu provavelmente me perderia - não era um túnel reto, haveria caminhos.

Caminhos esses que eu sinto que custei a memorizar, mas devo tê-lo feito com ajuda dos meus primos, pois usávamos a passagem juntos. 


Um dos lugares em que o túnel da esquerda terminava, se feito o caminho certo, era uma espécie de pátio.

Esse pátio me lembrava muito a parte de cima da casa do meu avô (que meu pai chamava "laje"), porém era distante, era secreto. Era só nosso. Era tipo um lugar feliz na minha infância. 


sexta-feira, 21 de abril de 2017

ReLapso: Introdução e o Primeiro Bullying da Minha Vida Escolar


Já tem algum tempo que eu queria apresentar pra vocês um novo tipo de texto que eu irei passar a escrever e aqui estamos nós.

Como vocês devem saber (ou não), o QWoL é primeiramente o meu backup de memórias, por isso eu continuo insistindo nele (apesar de não chegar nem perto da frequência que já teve) e não cogito nunca apagar o blog ou posts por mais que eu tenha mudado de opinião (exceto um ou outro). 

Existe um tipo de lembrança que eu desejo arquivar mas queria separar das outras por serem um tanto especiais: são fragmentos. Pequenos. São lapsos. Alguns deles eu nem tenho certeza se aconteceram de verdade. São pedaços preguiçosos na minha memória. Relapsos. 

Eu volta e meio retomo eles, por isso Re e Lapso, como palavras separadas pela letra maiúscula, mas ainda unidas pela falta de um espaço entre elas. ReLapso. 

A ideia do nome veio em um rápido brainstorm com o Capelo, K-2 e Pato, embora um deles tenha participado menos mas nem sei dizer qual foi. 

Espero que estejam apropriadamente introduzidos, segue logo um dos meus favoritos. 

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Por algum motivo, a minha mãe achou que eu já devia entrar na escolinha sabendo alguma coisa. Eu hoje acho meio estranha essa ideia, porque afinal a escolinha serve pra ensinar as crianças. Não sei se era necessário fazer com que um pivete de mais ou menos quatro anos já soubesse ler e escrever. 

Bom, eu era esse pivete, e apesar de não ser o maior Shakespeare infantil da paróquia, eu sabia, antes de entrar na escolinha, a formar e decifrar as sílabas mais básicas, por exemplo saber que B + A se lê "BA" e você pode usar essa artimanha para escrever BALA por exemplo na lista de compras dos seus pais. 

Entrei na escolinha com o meu conhecimento de letras já ligeiramente maturado pelos tios Mauricio de Sousa e Walt Disney e, como devia ser praxe entre as escolinhas pré-primário do século XX, a turma foi instruída a desenhar. E por algum motivo as crianças gostavam de "escrever" o que estavam desenhando, como que pra poder explicar pros adultos o que era aquele rabisco, mas elas não sabiam escrever tampouco. Eu sabia. 

Uma garotinha chamada Barbara estava desenhando com seus giz de cera uma casinha, dessas que as crianças desenham, retangular com trapézio em cima e arvorezinha do lado e então se perguntou em voz alta como se tivesse tentando recuperar uma memória: "Como é que escreve CASA...?" 

Eu que aparentemente já era um filho da mãe prepotente lhe respondi: "É C-A-S-A. C com A da CA e S com A dá ZA" 
  
Ela respondeu: "Não é isso não, é CASA. Escreve assim... o K... e... o A." 
"É C-A-S-A. Eu sei escrever. Minha mãe me ensinou." 
"Ah é? Pois diz pra sua mãe que ela é uma burra." 

Nada como ser recepcionado na escolinha com ofensas gratuitas à sua mãe. 
E mais: Com a sinceridade de uma criança de quatro anos. 

Dali dois anos a Barbara gostava de mim mas eu tava mais a fim da prima dela, a Débora (não fiquei com nenhuma delas). 



sábado, 21 de janeiro de 2017

Diamond Punch!


Eu tive esse sonho há algum tempo já, e eu tenho trabalhado num projeto baseado nele. 
Vou contar aqui pra vocês. 

Primeiro eu preciso que vocês conheçam o Juliano, ele é esse cachorrinho do primeiro banner do blog. 

Pra quem não sabe, o Juliano é uma pelúcia que eu tenho desde criança e acabou virando um personagem recorrente em alguns desenhos meus, sendo que no mundo da fantasia ele é real mesmo. 

Nos meus sonhos ele costuma ter um papel um pouco soturno, representando algo da minha infância que eu não quero deixar ir. Inclusive eu tenho um sonho recorrente em que há dois Julianos e eu não sei dizer qual é o real. Mas nesse sonho, ele simplesmente é o personagem real do parágrafo anterior. Talvez um pouco diferente, como vocês poderão verificar. 

O sonho começa comigo me vendo em terceira pessoa. Faz frio e eu estou bem agasalhado, com uma jaqueta um pouco grossa dessas de tecido sintético. O que é meio anacrônico visto que o cenário é meio steampunk

O local em questão parece ser uma fábrica abandonada. Não consigo distinguir muita coisa, mas vejo paredes de tijolo e cimento, pichadas, e limo e outros vegetais desses de local abandonado aqui e ali. 

Eis que indo ao que parece ser o fim do cenário, percebo que há uma espécie de escada. Essa escada dá pros bueiros. Não pretendo entrar lá, me viro e vou embora. 

Porém havia uma pessoa lá dentro. Era um punk, bem estereotipado: usava um colete de couro, sem camisa apesar do frio, cabelo moicano verde e coisas do tipo. Usava alguns adereços baseados em ratos, inclusive uma tatuagem, certamente devido o fato de viver no esgoto. Posteriormente batizei-o de Ratpunk e aqui tem um rabisco dele pra vocês visualizarem. 

O Ratpunk não parecia nem um pouco satisfeito com a minha visita, e começou a me perseguir. 

Eu andava rapidamente, como se estivesse disfarçando, mas comecei a correr quando vi que ele tinha sacado uma faca. 

Correr não adiantou muito, pois logo fui fechado por uma parede. 

Nesse momento aconteceu algo inesperado: o Juliano apareceu de dentro da minha jaqueta, saindo pelo colarinho. 

Eu sabia que ele podia voar batendo as orelhas, mas não tinha ideia que ele tinha força o suficiente pra... me carregar???
Então começamos a voar e mais uma vez o Ratpunk tirou um truque da manga (mesmo tecnicamente não tendo mangas), ele começou a voar atrás da gente com uma especie de asa steampunk remendada. 

Após fugirmos um pouco, o Juliano deve ter enchido o saco, e saiu de dentro da jaqueta, de modo que eu consegui agarrá-lo e continuar a salvo (isso foi só pra ganhar mais liberdade de movimento, acho) 

Ele parou de fugir e deu meia volta, encarando o Ratpunk. 

"Escuta", disse o Juliano, com uma voz aguda e esganiçada, "você sabe qual é a coisa mais inquebrável desse mundo?" 

O Ratpunk fez uma cara de ogro burro e gaguejou uma resposta que eu esperaria de qualquer vilão, menos dele: "ãhn... a coragem e força de vontade humana?" 

O Juliano fez uma cara de decepção como se tivesse perguntado uma coisa muito básica e a resposta fosse absurda e respondeu com desgosto "Claro que não, seu idiota!! É DIAMANTE!!!" 

Sua pata começou a brilhar uma luz que variava de ciano pra magenta e ele a levantou como se fosse um punho e bradou o nome do golpe como se ele fosse um Digimon: 

DIAMOND PUNCH! 

E deu uma patada no Ratpunk, que se desintegrou em pixels (?) como um monstro no desenho do Yu Gi Oh. 

Comecei a rir com aquela situação ridícula e acordei rindo.  

Claro que não é a coragem e a força de vontade. Seu idiota. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Pseudônimos




Volta e meia eu me pego criando pseudônimos/nomes falsos/nicknames e coisas do tipo, utilizando como base meu nome, minhas origens ou apenas alguns tipos de jogos de palavras. 



Como eu não tenho pretensão de ser escritor e acabar usando de fato esses pseudônimos, eu comecei a usá-los como meu nome no Twitter. Eu troco todo mês, lá pelo dia vinte. 


Aqui eu vou comentar um pouco sobre a origem dos meus favoritos. Lembrando que meu nome é Marcelo Leria Fernandes: 

Carmelo Ariel 
É um anagrama de "Marcelo Leria". Adicionalmente, é o nome que eu dei pro meu superego, como já comentado anteriormente. 

Mark Fernandez 
É uma estilização de "Marc Fernandes", com o intuito de parecer mais estrangeiro. 
Originalmente pensei como sendo o "nome real" do Fear em Kaos City. 

Rodrigo Carrasco 
Esse tem uma origem interessante e acaba por ser o meu favorito pois é o que eu sinto mais "real". 
O prenome "Rodrigo" teria sido meu nome se dependesse somente da minha mãe, mas meu pai discordou, então entraram em acordo com "Marcelo". 
O sobrenome "Carrasco" é o sobrenome do meu bisavô e deveria ser o meu, mas devido um erro de cultura, não foi. Eu explico: meu avô, Marcelino Carrasco Fernandes, era espanhol. Os nomes dos espanhóis são estruturados assim: "Nome + sobrenome da família do pai + sobrenome da família da mãe", diferente dos brasileiros que jogam o sobrenome da família do pai por último. Desse modo, a família do meu pai acabou se tornando "Fernandes". 


Fernando Marceles 
Esse é só um jogo de palavras com Marcelo Fernandes, mas eu acabei achando legítimo pois parece um nome real. 
Sugestão do Bolinho. 


Marc Quesadilla 
Um dia o Contriller me mandou uma mensagem de madrugada com um dos seus famosos Raps: 
"Marc Quesadilla 
é o seu nome 
De chefe de quadrilha
Jutsu do Clone" 
Então eu adotei e acabou inclusive se tornando o nome do meu personagem no role-play do clã. 

Red Nanseth 
"Rednansef" é um anagrama de "Fernandes", estilizado pra parecer um nome estrangeiro. 

Marco Macaroni 
Esse nome é puramente um jogo de palavras. Talvez (não me lembro) tenha algo a ver com o noivo da minha prima, Marco, que faz uns macarrões da hora. 

Leroy Ferdinand 
Estilização de "Leria Fernandes", obviamente tirei o Leroy do Jenkis e o Ferdinand do Franz.

Frederick Fromage
"Fromage" é queijo em francês, e depois de brincar um pouco com a ideia, decidi que o prenome seria Frédéric (a versão francesa do nome), mas optei por Frederick por ser mais "clean". Escolhi esse nome por começar com o mesmo fonema de Fromage aí parece nome de personagem.

Oswald Kross
Existe um personagem na história do Brasil chamado Oswaldo Cruz, que por acaso dá nome a uma das ruas da cidade. Eu tinha esse hábito de ficar traduzindo os nomes de ruas pra inglês e alguns ficavam interessantes. No caso, estilizei Cross com um K. Foi o nome do meu primeiro personagem no Ragnarök.

Reed C. Sky
"Reed" é um nome que lembra o verbo inglês "to read", assim como meu sobrenome Leria lembra o verbo ler.
C. Sky é para ser lido como "Sea Sky", ou seja, "Mar Céu", que lembra Marcelo.


Osíris Guanabara
É o nome do meu cachorro, conforme o pedigree dele, "Osíris Fernandes Guanabara" (segundo o moço da pet shop, prenome+sobrenome da família adotante+nome do criadouro)

馬些路·奶酪 (Mǎ xiē lù·Nǎilào) 
Ah, vocês não contavam com um nome chinês não é mesmo?
Mǎ xiē lù basicamente é a transliteração de "Marcelo". Segundo o Google Tradutor pode significar "alguns cavalos" ou "alguns caminhos" mas não sei se isso importa muito em se tratar de um nome próprio.
Nǎilào é "queijo" em chinês.
 
 
Nesdimu Raioku
Marcelo Queijo em Raioku.


Conforme for criando mais eu atualizo a lista. 
Última atualização: 12/03/2024


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Today has been cancelled. Go back to bed.



Existe essa frase que rola pela internet. "(O dia de) hoje foi cancelado. Volte para a cama". Não sei dizer exatamente se é um meme, um costume ou só algo que alguma comunidade cunhou. Eu sei que uma vez eu topei com ela e acabei meio que me identificando. 
  
Muitas vezes a gente acorda simplesmente querendo que aquele dia não aconteça. A gente realmente espera que alguém possa dizer pra gente que tudo aquilo que todo mundo planejou simplesmente não vai rolar, pode voltar a dormir. Às vezes mesmo eventos esperados há semanas parecem precisar de um montão de energia que a gente não está disposto a gastar. Mas aí não é bem assim, a vida continua e o mundo continua existindo com você ou sem você. 

Mas eu não estou aqui pra falar sobre isso (talvez não hoje), eu só queria comentar sobre certa época em que esse sentimento acontecia com uma frequência absurdamente maior do que de uns tempos pra cá. 
  
Certa feita, de bobeira na internet, eu encontrei essa imagem pela primeira vez. Veja bem, não é a imagem da ilustração. A frase era a mesma e a ideia era mais ou menos a mesma, mas a imagem em questão parecia estar num monitor de computador velho, algo mais AESTHETICS por assim dizer. Por algum motivo, aquela imagem em especial me compreendia. Ela de algum modo expressava exatamente o que eu estava sentindo. Um querer que o dia não exista, só poder ficar na cama com os meus pensamentos, e estes bagunçados como o glitch do computador. Talvez só precisassem de uma limpeza. 

Eu nunca mais encontrei essa imagem. Hoje eu duvido até mesmo que ela sequer tenha existido.


Montei essa que ilustra o post com um site gerador de glitch, não é exatamente o que eu queria, mas espero que dê pra ter uma ideia.